2007-11-29

Paradoxos

Quantas vezes afastamos os outros de nós, pensando que com isso estamos a proteger-nos, quando na realidade estamos apenas a tornar-nos mais vazios...

2007-11-26

Silêncio inconveniente

"A verdade não é apenas violada pela falsidade; pode também ser ofendida pelo silêncio."
- Henri Frédéric Amiel

2007-11-12

Gente feliz com lágrimas

"Ao bater das 6, já lavada e vestida sentara-se de novo a chorar no banco da cozinha e assistiu à chegada do papá. Pediu-lhe a benção como sempre o fizera. Papá devolvera-lhe numa voz de sono à qual incorporava o resto de contrariedade e revolta. Ergueu-se mesmo para o abraçar e para lhe pedir perdão. Mas como fazê-lo? Nunca tivera qualquer necessidade de abraçá-lo. A única competência de papá, sempre que lidara mais de perto com o seu olhar, consistira no modo como ele enxotava, ralhava e batia nos filhos. Nunca lhe conhecera nenhuma competência para a ternura ou para um distraído sentimento de perdão."

2007-11-05

O elogio devido

Para quem percorrer as terras da Beira Interior, e, tiver a prática como eu, de sempre procurar informações nos "postos de turismo" terá que fazer paragem obrigatória no Posto de Turismo da Covilhã. O espaço exíguo e algo deprimente, depressa é esquecido quando somos atendidos pela funcionária ali presente. No outono da vida, com os seus cabelos grisalhos, fazendo denotar largamente a entrada na casa dos 50, a sua postura, trato e conhecimento da cidade tornaram-se uma fonte inesgotável de conhecimento. Prontamente discorreu com alegria sobre os monumentos, museus, jardins e demais pontos de interesse da cidade. Abordou com autoridade as questões históricas, arquitetónicas e mesmo gastronómicas e culturais.
Mais que uma funcionária pública eficiente, esta senhora é uma amante da sua cidade, com um orgulho imenso nela e que com grande contentamento partilha a sua singularidade com os viajantes.
Aqui fica o agradecimento e um grande bem haja à D. ...

2007-10-29

Politiquices

Se pedirmos a um político que nos diga a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, o resultado final será a obtenção de 3 respostas diferentes!

2007-10-24

Vitalidade

Recentemente em conversa com um amigo, com idade a tocar o limiar das 85 primaveras, perguntei-lhe: "Então... já tomaste a vacina contra a gripe, este ano?". Ouvi então a resposta pronta da sua boca: "Bem, sabes... não convêm habituar o corpo a essas coisas...!"
Rapidamente arquivei mentalmente uma nota: "não lhe voltar a perguntar destas coisas antes dos 120 anos de idade..."

2007-10-22

Aprisionados

"Ninguém pode contemplar o belo e irrigar a sua vida com sentido se for prisioneiro dentro de si mesmo. Quem está aprisionado exteriormente, por barras de ferro, ainda pode ser livre para pensar e sentir. Quem é prisioneiro interiormente, no âmago de sua alma, além de perder a liberdade de pensar e sentir, perde também o encanto pela vida e esmaga o mais belo elo da existência."
- A. Cury

2007-10-18

A lâmpada eléctrica

Recentemente assisti a um documentário que explicava as diferentes fases do processo produtivo de um objecto aparentemente banal, mas assaz complexo: a lâmpada eléctrica.
Desde Edison, que a lâmpada eléctrica revolucionou os usos da nossa sociedade. Analisar detalhadamente o seu processo, desde o fabrico do vidro até à "tecelagem" do filamento de tungsténio, passando pelos sucessivos testes de qualidade a que estes são submetidos, foi deveras interessante.

Gostava de destacar uma dessas fases... Quando na fase de fabrico do vidro para o "bolbo" da lâmpada, se este não resistir aos testes de vibração e diferencial térmico, este será devolvido novamente ao forno... Então, para o vidro, o processo iniciar-se-à novamente. O alto-forno oferece a possibildade de uma nova utilização e de uma nova oportunidade para o vidro "rejeitado": o de cumprir a sua função com eficácia e vir a incorporar o produto final.
Este processo pode não ocorrer apenas uma vez, mas o seu aprimoramente poderá levar a várias viagens de volta para o forno.

Pena que tantas vezes, não reconheçamos que as "fornalhas" porque passamos, são apenas uma forma de termos novas oportunidades, de sermos refinados, aperfeiçoados, apurados para que o objectivo final de alumiar e dar luz seja conseguido.

2007-10-09

Recortes

[Se chamares experiências às tuas dificuldades e recordares que cada experiência te ajuda a amadurecer, vais crescer saudável e feliz, não importa quão adversas pareçam as circunstâncias. Fica então o desafio: "crescer em conhecimento e graça!"]

[A consciência das nossas forças fá-las crescer. Nunca poderás dizer: "Não sou capaz!" sem primeiro haveres tentado...Esforça-te e tem bom ânimo!]

Os "recortes" endereçados a dois alunos meus , contrastam com o "status" instalado: a decrepidez que a falta de perseverança e a inércia geram.

2007-10-03

Desabafo

Enuncio uma banalidade: "o mundo está a mudar". Hummm...
Fala-se na mudança, na (in)capacidade de gestão dessa mesma mudança, escreve-se e vive-se. Hoje, curiosamente sinto-a! Não falo apenas das alterações climáticas visíveis ano após ano, mas também das alterações dos comportamentos sociais, das metodologias organizacionais, dos paradigmas e referênciais normativos, enfim, da vida que ao nosso lado passa. Consequências de um relativismo exarcebado emergente da sociedade pós-moderna.
Em Biologia, o desaparecimento completo de uma espécie, causada pela destruição do habitat, predação ou pela incapacidade na adaptação suficientemente rápida às mudanças no ambiente natural é denominado de Extinção. Hoje sinto-me neste processo de extinção rápida. Sou confrontado com a velocidade de aceleração deste processo de mudança ao qual sinto-me impotente para o travar... Narcisicamente sempre me considerei apto para lidar com ele, afinal...
A entropia que se gera em todo este processo esmaga qualquer tentativa de impor ordem no caos. A alternativa? Talvez o refúgio com os "monges da cartuxa"!
Bem, pensando melhor, naaaa...
Embora as necessidades materiais e emocionais sejam diferentes das de um passado recente, algo permanece imutável: as necessidades espirituais de cada ser humano. Contudo a resposta permanece eficazmente a mesma: os braços estendidos do Pai!

2007-09-27

Inusitado e despropositado

"Inusitado e desproporcionado", foi assim que Ricardo Costa tentou sacudir a água do capote, após ter levado duas palmadas no rabinho "imberbe", de Santana Lopes.
Afinal de contas, a imagem mediática de um treinador de futebol é bem mais importante do que qualquer consideração, análise ou discussão sobre as fragilidades do sistema político português, o qual é apenas e tão somente a base da democracia representativa do nosso país.
Santana Lopes teve um dia feliz! Pena que dias assim sejam uma excepção e não a regra...

2007-09-24

"Fragmentos" não divulgados do 11 de Setembro

Agosto de 2001, Moshê (nome fictício), empresário judeu, viaja para Israel em negócios. Quinta-feira, dia nove, no tempo que tinha entre duas reuniões aproveitou para almoçar rapidamente numa pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech Georgeno, no centro de Jerusalém.
A pizaria estava cheia. Logo ao entrar, percebeu que teria que esperar muito tempo, tempo esse que não dispunha. Impaciente e ansioso foi abordado por um israelita que o observava, que lhe perguntou se queria ir à sua frente na fila extensa. Agradecido, Moshê aceitou. Fez o pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião. Menos de dois minutos após ter saído, ouviu um estrondo. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera.
O jovem disse que um terrorista suicída tinha feito explodir uma bomba na pizzaria Sbarro's. Moshê empalideceu. Por apenas dois minutos escapara do atentado. De imediato, lembrou-se do homem que lhe cedera o seu lugar na fila. Certamente ele ainda lá estaria. Aquele homem salvara-lhe a vida e agora poderia estar morto. Correu para o local e encontrou uma situação caótica. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, das quais seis eram crianças. Outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. Pessoas gritavam por ajuda, outra tantas acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar. As vítimas ensanguentadas eram socorridas pelos serviços de emergência. Moshê procurou seu "salvador" entre as sirenes e a confusão, mas não conseguiu encontrá-lo. O sentido de gratidão fez com que a importante reunião que o esperava fosse para si insignificante. Percorreu os hospitais mais próximos à sua procura e finalmente encontrou-o na cama de um hospital. Estava ferido, mas não corria risco de vida. Moshê conversou com o filho daquele homem, que acompanhava agora o seu pai, e informou-lhe do que tinha acontecido. Disse-lhe que faria tudo que fosse preciso por ele. A gratidão por aquele homem ao qual lhe devia a vida era extrema.
Moshê despediu-se do rapaz, deixou o seu contacto com ele para o caso de seu pai vir a necessitar de qualquer tipo de ajuda. Se assim fosse, ele não deveria hesitar em contactá-lo.
Um mês depois, Moshê recebeu um telefonema no seu escritório em Nova Iorque. Era o filho do homem que o tinha salvo. Contou-lhe que o pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para a fazer ficava em Boston, Massachussets. Moshê não hesitou. Tratou de tudo para que a cirurgia fosse realizada rapidamente.
Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo sentido de gratidão e honra pela palavra dada. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila". Mas não. Moshê sentia-se profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.
Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo e não foi trabalhar.
Assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001, Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center.

2007-09-18

O exemplo da água


A água não discute com os obstáculos que encontra, ela contorna-os!


Gastar energia com todos os obstáculos que encontramos poderá tornar-se num exercício estropiante e arrasador.

2007-09-12

2007-09-10

5 minutos com...

O frenesim da preparação da volta à escola anda no ar. O infante, a rondar os 7 ou 8 anos descobre na estante apelativa da livraria o título: "10 minutos com o seu filho", entusiasmado grita para a mãe "Mãe, mãe, anda ver isto!". A mãe analisa o livro e fica convencida da sua utilidade. Então num rasgo iluminado e repensando a dimensão da sua descoberta, o aprendiz dirige-se ao atendimento e questiona a funcionária: "A senhora desculpe, mas não existe nenhum livro com o título '5 minutos com o seu filho'?".

2007-09-05

"Visão" estratégica

Habitualmente dizia-se que não poderia haver nada pior numa Organização que um "tonto" com iniciativa. Isto, porque na sua entusiástica actividade, ele iria provocar mais estragos do que alguma coisa que pudesse vir a construir.

Pois bem, hoje em dia existe um outro, bem mais perigoso: alguém "inteligente" sem visão estratégica. Este último é o clássico "inteligente" que lança uma afirmação genial, que leva a que todos se desviem da rota correcta, que provoca confusão, que define novas prioridades, que atrai o auditório mas que nunca chega a destino algum. Nunca obtêm os resultados procurados, nunca consegue dar "fruto" mas ganha todas as discussões e arrazoados e consegue que a sua posição prevaleça.

Importa pois acautelar-nos tanto de uns como de outros.