2005-06-30

Ai que Carrilho!

José Maria Carrilho mais uma vez é notícia.
"L'enfant terrible" continua a deixar em franja os nervos de qualquer um, inclusivé dos membros do seu próprio partido. Não é que, depois de toda a sua pose quase "aristogática" (eh! eh!), de intelectual do "jet-set", depois de uma gestão questionável da sua imagem, agora envolve a família em "spots" publicitários.
Jornalistas, "opinion-makers", e outros que tais, aparecem quase que ofendidos na sua própria honra, porque o dito senhor aparece na campanha eleitoral, rodeado daqueles que provavelmente mais gosta: a sua mulher e o filho. E pasmem-se, não é que não foi só numa atitude de posar para a fotografia, mas a própria esposa intervem directamente na campanha e o filho até balbucia algumas palavras!!!
Para o degredo com eles, gritam alguns...
Pessoalmente não nutro grande simpatia pela figura em causa, mas não deixo de estranhar o grau de animosidade que esta questão levantou.
Será interdito a um político obter a contribuição da sua família no exercício da sua actividade?
Será que o que verdadeiramente incomoda a alguns não é a situação particular, mas o princípio da existência de uma família estruturada, heterosexual e bi-parental?
Será assim um exemplo tão terrível a seguir?

2005-06-28

Terra sedenta

Hoje o dia acabou ensombrado.
As nuvens grossas encobriram o horizonte. O sol não apareceu a despedir-se e a noite vai instalando-se pelas ruas.
Sente-se no ar o cheiro da natureza morta. Da terra emanam odores indecifráveis que me inundam os sentidos.
Normalmente sentiria nostalgia. Hoje, porém, o sentir das gotas de chuva na face nua, o odor ocre das folhas, o barulho das ondas que rebentam na praia, refrigera-me o coração.
Estava sedento desta chuva serôdia, que limpa, fortalece, que trespassa a minha secura, rejuvenesce o espírito e me aconchega a alma.
Estava sedento, mas não estou mais!
Como é bom sentir a Tua presença no silêncio da chuva, que insistentemente bate na vidraça do meu coração.
Como é bom experimentar-Te nas pequenas coisas, nos pormenores da vida, no cheiro a terra humecida, no crepúsculo e no ocaso, no A e no Z, no simplesmente saber que estás, que és, que bem-me-queres...
Obrigado pela água que de Ti brota, pela vida que ela gera, pelo consolo que me trazes...

Estava sedento, mas não estou mais!

Blue!

2005-06-27

Remorso ou arrependimento

O remorso é uma impotência, ele voltará a cometer o mesmo pecado. Apenas o arrependimento é uma força que põe termo a tudo.

- Honoré de Balzac

2005-06-22

S. João, dá cá um balão...

A cidade prepara-se para a festa. Veste-se de uma roupagem fresca e de um manto esteticamente questionável.
Montam-se as barraquinhas, preparam-se os comes, porque os bebes já à muito que estão prontos. Compra-se o alho pôrro, o mangerico, o martelinho... O orçamento parco do munícipio, sempre estica e a expectativa para o fogo de artifício é grande. Vem aí a "grande noite" de S. João.
Mas afinal de contas que festa é esta e que santo é este?
Tal como em muitas outras festas e romarias, a festa de S. João não é mais que uma cristianização de uma festa pagã. Símbolos como: o lançamento de balões, as fogueiras, os foguetes, o alho porro encontram-se intimamente ligadas a práticas religiosas do paganismo.
Poderão alguns argumentar que esta celebração é útil em termos sociais, pois cria espaço para que as tensões, os problemas, as preocupações, sejam postas de lado e o povo possa festejar, celebrar, dançar, brincar... Talvez!
Mas, vejamos quem foi S. João Baptista.
Homem simples e austero.Vivia num meio hostil e inóspito; alimentava-se de mel e gafanhotos; tinha um discurso anti-sistema e politicamente incorrecto. Confrontava os seus ouvintes com a necessidade de "arrependimento" e indicava um caminho a seguir, ainda mais excelente. Esta mensagem permanece actual. Nos dias que hoje correm é premente o arrependimento, o mudar de vida, o dizer basta à vida de derrota e sem esperança, aceitando o caminho proposto por S. João: o próprio Jesus!
Então só assim haverá motivos para festejar a vida que dEle recebemos.

2005-06-20

Retendo o bem!

É interessante que na sua generalidade, todos nós, somos peritos em recordar e evidenciar o negativo, em experiências de vida que acabaram por se tornar problemáticas e gravosas.
"Recordar é viver", ouvimos nós (especialmente em publicidade a material fotográfico). Na prática, aquilo que retemos de situações, pessoas, relacionamentos que em determinada situação nos magoaram, ou provocaram dano, é sobretudo o que acabou por se tornar em mal. E para agudizar ainda mais a situação, criamos uma cultura de cultivo desse mesmo "mal", acabando por desenvolver um estado de amargura e ressentimento, perpetuando-o no tempo.
Importa contrariar este sentir!
O que é interessante em tudo isto, é que não interessa o nosso passado!
Eu repito. Não importa o nosso passado. Seja ele excelente, ou miserável. O que é determinante para cada um de nós é o presente e o futuro.
Não me parece salutar, vivermos amarrados a um passado de decisões, acções, conceitos, que nos molestam e ferem.
Apesar de todos os condicionalismos de ordem genética, social e cultural, creio que é possível, ter uma "nova natureza". Creio que é possível mudança, que é possível adquirir um sentimento de nova oportunidade e esperança, "deixando o que para trás fica, prosseguindo para o alvo" que adiante se encontra.
Um alvo de vida próspera, "limpa" e com sentido.
É esta a minha convicção, espero que seja também o vosso desejo.

2005-06-17

Dúvida existencial!

Porque será que a "função pública" faz sempre greve à 6.ª feira?

No colo do infinito fica o tempo com o rosto velado, T. Formenti


“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu;
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz."
in a Bíblia

E agora, é tempo de ir de fim-de-semana.

2005-06-16

Olhe que não Dr., olhe que não!

Confesso a minha estupefacção, face ao que se tem visto e lido na comunicação social nos últimos dias.
Parece-me absolutamente ignóbil a campanha de branqueamento de imagem que tem sido levada a efeito pelos media..
Encontramo-nos numa sociedade em que a morte "santifica" tudo e todos.
Não importa os valores que se defendem, não importa os meios que se utilizaram, não importa a manipulação, nem as tentativas de perseguição, o que importa é a "coerência" a esses mesmos valores.
Apesar de todos os dados históricos apontarem para a falência de valores ardilosamente esgrimidos como defensores da liberdade e da democracia, quando verdadeiramente na prática traduziram-se numa atroz negação desses mesmos princípios, a teimosia, a obsessão, a arrogância de alguns impedem a clarividência das coisas.
Nada tenho contra a divergência e o pluralismo político, pois considero-os a base para o funcionamento do sistema democrático, mas parece-me de todo incompreensível que volvidos 31 anos a memória de alguns portugueses tenha ficado tão curta.
Afinal o que importa é o politicamente correcto. Olhe que não Dr., olhe que não!
Estou incomodado?
Concerteza. Incomoda-me o anacronismo, incomoda-me a falsidade.

2005-06-09

2005-06-08

A verdade da mentira

Um dos primeiros conceitos que aprendemos na nossa existência, prende-se com a diferenciação entre a verdade e a mentira.
No início, parece fácil, mas à medida que crescemos, somos confrontados cada vez mais com quase-verdades, o que torna a nossa capacidade de discernimento bem mais falível.
Umas vezes optamos conscientemente por escolher a mentira, outras vezes, assumimos quase verdades como verdade, outras vezes procuramos sem preconceitos a verdade das coisas.

Ninguém gosta verdadeiramente de se sentir enganado, pelo que é comum que ultrapassemos este problema determinando aquilo a que chamaria a verdade da mentira. Este conhecimento parcial acaba por ser suficiente, levando contudo ao engano auto-induzido
Uma falsidade repetida indefinidamente assume carácter de verdade: imagem de verdade distorcida, reflexos de premissas dúbias, figura tosca do verdadeiro.
E pronto, logo passamos a ter a nossa "verdade da mentira".
Muitas vezes ela aparece camuflada e envolvida num invólucro de pseudo-ciência, outras vezes reveste-se de uma capa de religiosidade, outras vezes ainda pelo que está socialmente pré-determinado.

Eu só concebo a Verdade neste contexto: uma verdade que produz vida e esperança; uma verdade que não valoriza o exterior mas sim o interior; uma verdade que atenta para o indivíduo no particular; uma verdade inteligível até pelas crianças; uma verdade que ilumina, orienta e traz propósito; uma verdade que produz aceitação; uma verdade que gera justiça; uma verdade que aperfeiçoa; uma verdade não apenas da mente mas também do "coração"; uma verdade de certezas e convicções; uma verdade de excelência e de conhecimento; uma liberdade que liberta.


"e conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará",
da Bíblia

2005-06-06

Importante ou urgente?

Como seres humanos, encontramo-nos limitados tanto espacial como temporalmente, pelo que sempre temos que fazer escolhas.
A questão de diferenciar o que é importante do urgente, torna-se absolutamente primordial.
No nosso quotidiano vivemos consumindo recursos que, dependendo da correcta definição destas duas variáveis, levará a um sentimento de maior ou menor realização da nossa existência.
É essencial a sua clarificação.

A "lei de Segal" diz-nos que:
"um homem com um relógio sabe que horas são; um homem com dois relógios, nunca tem a certeza!"
Muitas vezes, tendemos a alternar entre dois "relógios", o que leva inevitavelmente à desorientação e desnorte, à existência sem rumo!
Eu sei qual é o meu "relógio", que me faz distinguir claramente o que é importante, do que é urgente, o essencial daquilo que é complementar, o eterno do imediato, isto é, em primeira instância a vida... da morte.
Só assim é possível ter uma "vida com outro sabor".

2005-06-03

100.000.000 €

Não, não é próximo prémio do Euromilhões, é o valor do Orçamento da Assembleia da Répública (mais coisa, menos coisa) para este ano.

E ainda tem um pequeno acréscimo, dado que no ano passado não se gastou o valor orçamentado, pelo que transitou para este ano.

Considerando que parte substancial deste Orçamento se destina a remunerações (directas e indirectas), um pouco de decoro não ficava mal meus senhores, não sei digo eu!

2005-06-02

Evasões

Na linha do horizonte procuro a resposta
No infinito do momento busco solução
No desespero da indiferença, assomam-se as trevas
Angustiosa vertigem, atroz alucinação.
Apático e desconfortável, sento-me na quietude do tempo
Sinto saudosamente a fragrância que ecoa dos momentos vividos
A mente diverge numa mescla de direcções:
O ontem, que foi hoje, que fora amanhã!

Então, tudo parou.
Olhei para cima e a salvação chegou.
Do caos veio ordem, no tenebroso vazio a claridade vingou.
Agora tudo faz sentido!
Sim, Tu sempre estás presente, mesmo quando eu estou ausente de Ti.
Sim, Tu sempre as tuas mãos estendes e tocas meu interior.
Ouviste o meu lamento e o meu sussurrar na multidão,
Vieste até mim e mitigaste meu coração.
Obrigado. Mil vezes obrigado.
Obrigado por estares,
Obrigado por seres Tu...
Obrigado, Deus meu!

2005-06-01

É possível colorir o Mundo


"Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a" - Goethe

1 de Junho, Dia Mundial da Criança