2006-01-30

Despertar

O que é que nos faz despertar do "sono", o que é que quebra a letargia do nosso comodismo: as circunstâncias difíceis, as "tempestades, os ventos, a neve e o frio", ou as vozes das pessoas que incessantemente pedem ajuda e socorro?

2006-01-26

Perversões da Democracia

O Hamas venceu as eleições legislativas na Palestina.
Com uma presença nas urnas de 80% dos eleitores, num processo aparentemente transparente e livre, o Hamas, um dos principais grupos terroristas, vence com maioria absoluta.
Fruto de uma actuação social junto das populações mais pobres, verifica-se a legitimação popular dos ideais radicais islâmicos. A democracia tem destas coisas...
A esta facto, acresce o agravamento das relações da Comunidade Internacional com o Irão.

Para Israel, "shalom" assume cada vez mais a angústia de um povo, que ao longo dos séculos procura fazer vingar o seu direito de existência como Estado e Nação.

2006-01-24

Papalagui

“Houve um tempo queridos irmãos, em que todos vivíamos, numa noite escura, pois não conhecíamos a luz irradiante do Evangelho; um tempo em que vagueávamos como crianças à procura da sua cabana sem a encontrar, em que o nosso coração desconhecia o Grande Amor e os nossos ouvidos estavam surdos à palavra de Deus.
Foi o Papalagui * que nos trouxe a luz, foi ele que nos veio libertar da noite negra em que vivíamos. Levou-nos até Deus e ensinou-nos a amá-lo. Veneramo-lo, pois, como sendo aquele que nos trouxe a luz, o porta-voz do Grande Espírito a que ele, Papalagui, chama Deus. Reconhecemo-lo e consideramo-lo nosso irmão, não lhe vedamos o acesso à nossa terra, pelo contrário partilhamos com ele de boa fé todos os frutos e tudo quanto tínhamos para comer, pois nos sentíamos como filhos de um mesmo pai. (…)
O missionário do Papalagui, ensinou-nos, em primeiro lugar, o que é Deus; desviou-nos dos nossos antigos deuses, dizendo-nos que se tratavam de ídolos, isentos da natureza divina do verdadeiro Deus. Deixámos por conseguinte, de adorar as estrelas da noite, a força do fogo e do vento, e a partir daí começamos a endereçar as nossas preces ao deus do Papalagui, a Deus, o Grande Senhor do céu.
A primeira mercê que Deus nos fez, foi tirar-nos, por intermédio do Papalagui, todos os canos de fogo e demais armas a fim de vivermos em paz uns com os outros, como bons cristãos, pois bem conheceis os mandamentos de Deus que nos manda amarmo-nos uns aos outros e não matar. É o mais importante dos seus mandamentos. Entregamos as nossas armas, e desde então nenhuma guerra voltou a dizimar as nossas ilhas e cada um respeita o próximo como um irmão. Não tardamos a perceber que Deus tinha razão em ditar tal mandamento, pois a paz reina hoje entre as aldeias que, outrora, se entregavam a terríveis, intermináveis e encarniçadas batalhas. (…)
Mas o Papalagui limita-se a empunhar luz, a estender o braço para alumiar os outros, pois que ele próprio, ou seja, o seu corpo continua nas trevas. Muito embora a sua boca proclame o nome de Deus e as suas mãos arvorem a luz, o seu coração vive longe de Deus.
Nada há para mim de mais penoso, nada me enche tanto o coração de tristeza, do que ser forçado a dizer-vos isto, filhos queridos das nossas muitas ilhas; o certo, porém, é que não podemos deixar-nos enganar a respeito do Papalagui, para que ele não nos arraste também para as suas trevas. É verdade que foi ele que nos trouxe a Palavra de Deus – sem, contudo, ter entendido os seus mandamentos e preceitos. A boca e a cabeça compreenderam, mas não assim o corpo. A luz não conseguiu penetrá-lo nem reflectir-se nele, de modo que, para qualquer lado para onde vá, possa iluminar tudo com a luz que lhe vem do coração, luz essa a que também se poderá chamar Amor.
Nem ele próprio, sequer, reconhece a contradição que está patente entre as suas palavras e os seus actos; mas nós sim, reconhecemo-la pela sua incapacidade em pronunciar a palavra de Deus no fundo do coração. Quando a diz, faz uma espécie de careta como se estivesse cansado e como se essa palavra não lhe dissesse respeito. Todos os Brancos se atribuem a si próprios o nome de filhos de Deus, crença essa atestada, em esteiras, pelos chefes de tribo da terra; mas embora todos eles tenham recebido o grande ensinamento e todos conheçam Deus, Deus continua a ser-lhes estranho. Nem mesmo aqueles que foram formados para falar de Deus em grandes e magníficas cabanas construídas em sua honra têm Deus em si; falam no ar, falam no meio de grande vazio. Esses mensageiros que falam de Deus não sabem discorrer sobre Deus, falam como as ondas que vêm quebrar-se de encontro às rochas: embora ressoem continuamente, ninguém já as ouve. (…)
O Papalagui só muito raramente pensa em Deus. Só quando é apanhado pela tempestade e essa tempestade está prestes a apagar a chama da sua vida, só então é que ele se lembra que há poderes que lhe são superiores e chefes de tribo de mais alta estirpe. (...)
O seu coração está repleto de ódio, de cobiça, de hostilidade, e mais parece um gancho enorme e pontiagudo, um gancho tão só destinado ao roubo, do que luz que vence as trevas, tudo aquecendo e iluminando.(…)
Que Deus não ajude a não nos deixarmos ofuscar pela sua luz a pontos de nos perdermos no caminho; antes ilumine todas as veredas, de modo a podermos caminhar banhados por essa maravilhosa luz, e assim nos amarmos uns aos outros, e assim fazermos muitas talofas** nos nossos corações.”
* o homem branco
** actos de amor


- O Papalagui, discurso de Tuiavii, Chefe de Tribo de Tiavéa, nos mares do Sul

2006-01-23

Por um triz

Em tempo de "gripes" nada melhor que um suplemento de vitamina C. Fica o desejo que o ácido ascórbico não se torne em acido sulfúrico.

2006-01-19

A "mal-dicção"

O legado de Gil Vicente perpetua-se. A "arte de maldizer", permanece no espírito luso. Uma curta e empírica viagem por um círculo restrito desta nossa blogosfera, foi o suficiente para propiciar este post.
A vontade de "maldizer" é uma constante. A publicitação do ridículo uma arte.
Num discorrer de argumentos, mais ou menos cáusticos, mais ou menos dilacerantes, esta prática, adquire contornos narcísicos, numa frenética competição em que os intervenientes degladiam-se entre si, na aspiração a um qualquer galardão na arte sarcástica.
Alguns, espelham uma literacia excelente, proporcionando à sua fiel "clientela" argumentos e "clichés" para apimentar a conversa de café do dia seguinte. Outros, obrigando a um maior cuidado na interpretação subliminar das suas afirmações, não deixam de armazenar a cicuta nos seus "odres".
Não é pois de admirar que perante as dificuldades reais do quotidiano nos limitemos amargurada e continuamente a "lamber as feridas", numa atitude complacentemente mórbida e fatalista, a que conduz esta prática da cultura da malícia.
O elogio e a valorização, a exaltação genuína e descomplexada, as expressões altruistas de vontade, são exemplarmente segregadas ou então timidamente exibidas, como se de uma pandemia se tratassem.
É então nesta espiral de destruição, crítica voraz e condenação fácil, que alimentamos o nosso espírito ávido e sedento de "mal-dicção".
Agora, é tempo de eu "bater no peito"...

2006-01-18

2006-01-17

Spams

Spam, é um termo corrente que se encontra relacionado com o junk mail.
Já alguma vez foram enganados por algum?
É um problema comum na utilização do correio electrónico. Às vezes é inofensivo, mas por vezes não o é. Sobretudo a sua evolução mais recente e perigosa que é o phishing.
Abrimos o e-mail e recebemos uma indicação dizendo que alguém nos quer ajudar. Pede o nosso número do cartão de crédito. A mensagem afirma que o cartão de crédito é inválido, e o número tem que ser escrito novamente para reactivar a conta. Então escrevêmo-lo e, clic, enviamo-lo pensando que estamos a fazer a coisa certa. Então, mais tarde, lá aparece o extracto do cartão de credito debitado com compras de artigos que nunca os vimos. Acabamos de ser ludibriado por um spam!
Podemos pensar que isso só acontece aos outros. Será?...
Nem sempre o que parece ser útil, o é de facto. Confiamos em mensagens de origem dúbia, damos ouvidos às suas indicações e acabamos perdendo.

Podemos também ser ludibriados "espiritualmente". Acontece quando damos ouvidos a mensagens deturpadas, descontextualizadas e ademais das vezes tendenciosas, com conceitos e princípios "religiosos, espirituais e filosóficos", cujo único objectivo é o engano.
Só conheço um anti-spam eficiente nesta matéria: a Bíblia. Ela nos mostra qual o caminho, qual o destino, qual a verdade da condição humana e qual o objectivo dessa mesma existência.

Não sejas enganado.
Qualquer outra "mensagem" fora da Bíblia, é uma fraude!

2006-01-12

Onde é que já ouvi isto?

Aqui fica um extracto de um post que li no artLisboa e que achei interessante:


"Conflito de Gerações

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:
1) 'Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, desafia a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.'
2) 'Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.'
3) 'Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.'
4) 'Esta juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.'
Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então, revelou a origem delas: A primeira é de Sócrates (470- 399 a.C.), a segunda é de Hesíodo (720 a.C.), a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C. e a quarta estava escrita num vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência."

2006-01-11

Sal ou saleiros?

Actualmente é comum, barato e usado no mundo inteiro. Ao longo dos séculos tem suscitado guerras, conduzido ao estabelecimento de rotas comerciais, utilizado no pagamento do soldo de soldados. Hoje é usado primordialmente na preservação e tempero de alimentos. Estamos obviamente a falar do sal.
Podemos pensar na utilização prática do sal sobretudo em duas aplicações: na conservação dos alimentos; e, como condimento, realçando o seu sabor próprio.

Somos chamados a ser "sal". Somos chamados a preservar e potenciar o valor próprio das "coisas" e da essência humana, de forma a que a sua condição seja alterada.
Ademais das vezes, no entanto, o que se verifica é que somos mais saleiros, que sal.
Enquanto à nossa volta, o estado de decadência e decomposição se instalam, o "sal" permanece na sua prateleira, fechado no seu "saleiro", nada preservando, nada conservando.
É de facto interessante constatar como aqueles pequenos grãos fazem toda a diferença no "sabor" das coisas. Uma pequena pitada de sal, é a diferença entre um excelente manjar ou uma refeição nauseabunda.
Importa pois que "salguemos".
E, contrariamente ao que acontece na culinária, mesmo que "salguemos" em excesso, não há problema. Aliás, é desejável que assim seja, pois o "salgado" provoca "sede", "sede" essa que apenas é saciada com Água.

2006-01-10

Quando os sinos dobram

"Nenhum homem é uma ilha; qualquer homem é uma parte do todo. A morte de qualquer homem me diminui, porque faço parte da humanidade; assim, nunca procures saber por quem dobram os sinos: eles dobram por ti. "
— John Donne

2006-01-06

Construções

A Torre inclinada mais famosa do mundo reabriu ao público no início da década de 90, após longo período de reparações a que foi sujeita. Foram gastos 30.000.000 €, retiradas 110 ton. de entulho da sua base, para corrigir 30 cm de desvio no topo.
Qual é o problema desta construção? Não são os materiais que foram empregues, ou algum erro na construção propriamente dita, mas sim na base, nas suas fundações. Aí se encontra o problema.

Cada um de nós está envolvido na construção de alguma coisa. Seja ela do carácter, de relacionamentos, de uma carreira, de uma família…
Quem constrói, obrigatoriamente tem um plano, uma planta, uma memória descritiva onde se enumeram os materiais, ou as acções a praticar. Ou seja, tem regras “de construção” levando em conta sobretudo a resistência dos materiais e a sua adequação à função que vão desempenhar. O curioso é que às vezes parece que nos esquecemos que vamos habitar “na casa” que estamos a construir.
Deixem-me partilhar uma história:
Certo homem muito abastado, tinha um amigo construtor. Ao tomar conhecimento que este seu amigo de infância estava a passar por uma situação de pobreza extrema, convidou-o para construir uma casa. Deveria utilizar os melhores materiais, pois o preço não era problema. Ele iria estar ausente em viagem por vários meses e quando regressasse a casa deveria estar pronta. Ao ver a possibilidade de fazer um excelente negócio, o construtor prontamente anuiu. Assim, começou a construção. Contudo, usou os materiais mais pobres, para conseguir melhor proveito do negócio que tinha feito. Concluiu a obra, o amigo voltou de viagem. Encontraram-se.
Foi então que o amigo entregou ao construtor a chave da sua nova casa. Sem saber, o construtor tinha estado a construir para si. Este homem simplesmente tinha-se enganado a si próprio.

Todos nós vamos “habitar” aquilo que estamos a construir.
Todos nós, mais tarde ou mais cedo, vamos enfrentar os “vendavais” da vida. As tempestades virão e o que será determinante para “permanecermos em pé”, será o tipo de construção que realizamos: como foram feitas as fundações, que tipo de materiais empregamos, que regras de construção seguimos…
Quando se constrói? Antes da tempestade, quando há serenidade e tranquilidade.

É nesses momentos que a integração da construção com a “paisagem” é possível, para que quando “desça a chuva, venham as torrentes, soprem os ventos, e batendo com ímpeto contra a casa; ela não caia, porque estava fundada sobre a Rocha”.

2006-01-05

Frase do dia

"As crianças não se educam com bons conselhos, mas sim com bons exemplos."

2006-01-03

Cáceres Monteiro


"o viajante com um sorriso no rosto", partiu.
Fica o legado da objectividade na forma de fazer notícias.