2006-02-24

"Keep it simple"

Muito se houve falar de "qualidade de vida". Indicador do nível de felicidade, insistentemente, este conceito surge relacionado e quantificado com a quantidade de "bens" que determinada pessoa possui e do seu correspondente usufruto.
O materialismo da sociedade em que vivemos é crescente, no entanto, se nos questionássemos quanto à necessidade real das coisas que detemos, certamente ficariamos estupefactos. Grande parte daquilo que hoje reputamos como essencial, à 10 anos atrás não existia, à 20 seria ficção científica, à 100 anos levar-nos-ia ao internamento num qualquer hospício.
Da mesma forma, as relações de afectividade e de relacionamento comungam deste mesmo paradigma. Construímos verdadeiros labirintos e teias de relacionamento, muitas delas virtuais, efémeras, transitórias e egoisticamente prevalecentes. Cada vez mais o dar-se ao outro, o abrir-se, o permitir a invasão do outro no nosso eu, não é de todo permitida, ou sendo-o, é habilmente acautelada.
Vivemos num mundo de clausura emocional e de ostentação material. Prevalece a posse, sobre o relacionamento, prevalece o material sobre o intangível.
O Homem é acima de tudo um ser relacional, pelo que a "qualidade de vida" de cada um deverá ser medida pelos relacionamentos que estabelece e não por aquilo que detém. Sobretudo, no que respeita ao relacionamento individual e pessoal com o Criador de todas as coisas.

6 comentários:

Paula disse...

Estou plenamente de acordo contigo. A qualidade de vida mede-se pela qualidade dos nossos relacionamentos. O resto é paisagem.

Paula disse...
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Em contra-corrente disse...

É isso mesmo. E, no entanto, temos dificuldade em admitir que somos umas(uns) felizardas(os.
Lá fui eu buscar o masculino...
Bom carnaval!

Ver para crer disse...

Eu também concordo. Mas é carnaval... e está tudo dito.

caminante disse...

El hombre es digno en sí mismo. Es su ser hombre la raíz de su dignidad. Merece siempre respeto. Pienso que no se puede medir la calidad de vida en relación a la salud o a la enfermedad, a la inconsciencia o consciencia.
Creo que al hablar de "calidad de vida" hemos de tener en cuenta varias cosas:
1.-"También nuestros hermanos y hermanas que se encuentran en la condición clínica de "estado vegetativo" conservan toda su dignidad humana. La mirada amorosa de Dios Padre sigue posándose sobre ellos, reconociéndolos como hijos suyos particularmente necesitados de asistencia".
2.-Definición de "estado vegetativo":Se trata de una condición clínica en que la persona no da ningún signo evidente de conciencia de sí o del ambiente, y parece incapaz de interaccionar con los demás o de reaccionar a estímulos adecuados.
El término "vegetativo" para referirse al estado de seres humanos es desafortunado pero se ha impuesto en el uso. El peligro está en que se utilice no solo para describir el estado clínico sino a la persona misma. La "calidad humana" de la persona jamás disminuye.
Amemos y respetemos al hombre por sí mismo. Lo merece.
Un fortísimo abrazo.

Casa dos Cinco disse...

Só digo isto:
Dá graças daquilo que tens e não te lamentes daquilo que não tens.